quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Um estalo e uma paixão

     Quem nunca acordou apaixonado? Quem nunca acordou mais apaixonado? Qual apaixonado que nunca acordou mais apaixonado?

     O que isso provoca? Elogios às seis da manhã de um domingo de plantão.

     Acontece mais ou menos assim. Tu acorda normal. Apaixonado mas normal, se isso for possível, é claro. Perdoe-me a incoerência, paixão e normalidade são polaridades diferentes. Não que sejamos anormais, mas longe de sermos normais também.

     Enfim, acorda. Sente um estalo e de repente, borboletas no estômago, os olhos brilham ainda mais, o mundo em volta não tem mais importância, só aquela cena, aquela que te fez sentir aquele estalo. Sem se importar se são seis da manhã ou quatro da tarde.

     O que vai sair da tua boca naquele momento, pode escancarar toda a tua fragilidade e sentimento ainda em processo de exteriorização.

     Mas não se intimide. Não te importa.

     E tu não vai te importar. Não tem vontade de te importar, nem em te preocupar. Pra que, te importar, se pode somente te apaixonar, a cada novo estalo, uma nova, mas com gosto de antiga paixão.

     A arte, de agora, se apaixonar estando apaixonado.

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