Ele deita a cabeça sobre o colo dela, e a encara, de baixo para cima. Pensou em citar Hamlet, na melhor das ironias shakespeariana, mas não era o momento e a piada já lhe era antiga. Quis então falar-lhe um de seus textos, aqueles em forma de poema, aqueles que ele escrevia para ela, mas não contava à ninguém, nem à ela, mas nunca se lembrava de seus próprios escritos. Tentou compor alguma coisa ali mesmo, na hora, afinal, a sua inspiração estava personificada, e ele, no colo dela. Foi em vão, olhar nos seus olhos era a mais pura poesia, e não quis competir com ela. Sabia que não tinha chance.
Ficar ali, certamente lhe renderiam bons textos, logo após, assim que encontrasse caneta e papel, mas agora, inútil era, a concentração estava somente para as estrelas em seus olhos.
Olhar assim, para ela, ela difícil, quase que inviável para ele, não conseguia, olhar nos olhos de qualquer outra, era fácil, não não nos olhos dela. Talvez por medo do que eles pudessem revelar, talvez pela timidez que o atacava nos momentos onde ela deveria sumir. Talvez o medo de olhar lhe olhar nos olhos, era simplesmente de não querer acordar do sonho. Sim, já tentou olhar nos olhos de alguém durante um sonho, aquele sonho que parece realidade, até tu enxergar os olhos das pessoas, por que ali eles não estão.
Olhos são a alma das pessoas, tudo está neles, seus sentimentos, seus medos, seus anseios, seus desejos e até os seu amores. Ali morava o perigo, ele não queria saber de seus amores, ele queria ser o seu amor, ele queria estar nos olhos dela, mas no sonho, olhos não tinham, e na realidade, bom, na realidade, quem sabe...
Nenhum comentário:
Postar um comentário