sexta-feira, 12 de julho de 2013

O sentido dos sentimentos

Fico me perguntando como deixei isso acontecer? Mas será que podemos escolher quando vai acontecer? Ou será que esse pensamento não acaba interferindo no acontecimento em si? O pensamento de, “nossa, acho que está acontecendo, mas não vou pensar em nada, o que tiver que ser será...’. O que tiver que ser será o cacete, quando pensamos assim, já estamos pensando que aconteça, e sim,  pensamento tem poder. Ou será que pensamos assim porque já aconteceu?
Como definir o momento do acontecimento? Seria a mesma coisa que tentar responder com certeza o momento que o homem tornou-se enfim, bípede. Indefinível. Talvez o indefinível, torne tudo real. Natural, natural é a palavra. Mas o natural já estava no pensamento, estava até nos poemas, aquele papo de que nada mais acontece tão naturalmente com antes, um desejo do próprio subconsciente em fazer a “naturalidade” acontecer, logo, não é mais natural.
Amar é cumprir uma promessa mesmo assim. Seria essa a definição do amor verdadeiro? Não nos questionaremos do amor, não, do amor não, falaremos somente de sentimentos, mas qual? Ah, eterna dúvida, eterna dúvida. Não gosto de nomeá-los, não, sentimentos existem, se é que eles existem, para serem sentidos, não para darmos nomes. As pessoas passam mais tempo tentar criar uma nomenclatura do que propriamente sentido seus sentimentos. O sentimento está para mim como a literatura, a música, não cabe a essas belas artes rótulos, nomes, estilos, escolas e etc., cabe a elas serem apreciadas, deliciadas, vividas. Cabe ao sentimento, ser vivido, e intensamente.
Só darei nomes aos meus sentimentos, quando as últimas contrações do meu músculo cardíaco forem sentidas, ai eu poderei responder-lhes, ai, talvez, eu poderei nomear-los. Mas não lhes garanto, pois se podem passar uma, duas, três vidas sem darmos nomes ao que sentimos. E este sente, este vive o sentimento. Este vive.

Por fim, ficaremos com aquele verso já citado e aquela frase já famosa: Que tudo aconteça naturalmente, mesmo que já estejamos interferindo, inconscientemente ou consciente mesmo, tenho cá minhas suspeitas e que o que for pra ser será, mesmo que não seja, ou seja, enfim... O sentimento, por fim, está sendo sentido, pois esse é o princípio dele, o sentido, se vai ser vivido, não cabe a nós saber, afinal, deixaremos ao natural...

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