Hoje fui jogar algumas garrafas da minha ainda pequena coleção fora, depois que no último final de semana no meu quarto, você me disse que eu tava igual ao meu avô, repensei e fui fazer uma limpa. Joguei a da Skol, Skol Beats entre outras, lá do fundo puxei a garrafa de Freixenet vazia que você não gostou, achou forte e amarga, e eu derrubei ela, até o fim, na sacada daquele hotel do litoral norte gaúcho. E tudo girou.
Tudo girava e eu reclamava pra ti que não parava de girar, quase me arrependendo de ter tomado todo o espumante, mas eu queria mais era girar mesmo.
E mesmo girando, eu sabia exatamente eu estava. Sabia exatamente onde eu deveria estar, e era do teu lado, só não sei porque demorei tanto pra estar do teu lado, mas, aprendi, também contigo, que tudo tem a sua hora.
Já sofremos longe um do outro, talvez sofremos porque não tínhamos nos encontrado ainda. Já sofremos juntos enquanto nem um nem outro assumia a posição de apaixonado. Tá, eu já havia assumido, mas só nas entrelinhas dos meus textos. Já sofremos juntos para ver a felicidade do outro. Já sofremos juntos reconquistando a nossa felicidade.
No fim, não joguei a garrafa vazia de Freixenet, encontrei a rolha que quase quebrou a televisão e me lembrei na lambança que fiz no chão, e por tudo isso, pelo toque da garrafa que me trouxe lembranças e lembranças, ela não foi por lixo. Guardo de nós os menores detalhes. E lembranças lembro que são realidades, de dias felizes que estão acontecendo.
Ps.: tenho mais duas garrafas de vinho e um espumante pra girar e girar contigo, porque não temo girar, se sei que vou voltar pro mesmo lugar. No meu lugar, que é o teu lugar. No nosso lugar.
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