domingo, 14 de abril de 2013

Rodar e rodar

Pego a moto, dou a partida, e parto, pra onde? Só até a esquina, mas me imagino numa imensa viajem, talvez eu volte, talvez eu fique por lá, seja lá onde for esse "lá", mas me imagino indo além das fronteiras que meu pai me determina - não vai pra faixa - respeito, apesar de dar uma escapadela e por três minutos ele não me pega voltando do lado proibido.

Ele me busca com a outra moto, e descemos juntos a ladeira da casa dele, incrível aquela sensação.

Continuo na minha viagem eterna até a esquina. Sem vontade de parar, dou voltas e mais voltas. Paro para responder as tuas mensagens, paro para pensar que caminho seguir, se desço a ladeira, se dobro na rua da escola, se sigo para o proibido mais um pouquinho.

Me tenta sentir as rodas rodares no asfalto esburacado, poder fazer a troca de marcha plana, poder puxar o acelerador até meu punho se abrir por não estar acostumado.

Agora volto, não por estar cansado, nunca me canso de rodar, mas a noite já cai, o frio vem se aprochegando e dele eu quero distância, quero sentir o vento no rosto, a brisa nas mãos, mas sem frio, quero calor, quero aquecer, quero ser aquecido, e porque não também queimar e ser queimado?

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